Escutando o cotidiano: resistência e participação infantil no acolhimento residencial do SENAME

Escutando o cotidiano: resistência e participação infantil no acolhimento residencial do SENAME

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5027/psicoperspectivas-Vol25-Issue2-fulltext-3737

Palavras-chave:

agência, contextos restritivos, participação infantil, resistência, SENAME

Resumo

Este artigo analisa como crianças e adolescentes que viveram em instituições administradas pelo Serviço Nacional de Menores (SENAME) entre 1979 e 2000 desenvolveram estratégias de resistência, evasão e transformação em resposta às restrições institucionais. Utilizando uma abordagem qualitativa-narrativa, foram realizadas 68 entrevistas em profundidade com ex-residentes adultos, cujas narrativas foram examinadas por meio de uma análise temática em dois níveis, utilizando o ATLAS.ti. Os resultados identificam cinco formas de participação não reconhecidas pela instituição: fuga, negociações com os cuidadores, reapropriação simbólica do espaço, autogestão e solidariedade entre pares, que funcionavam como contra-comportamentos e táticas cotidianas nos interstícios do poder institucional. Teoricamente, o estudo integra perspectivas críticas sobre poder e resistência com o conceito de agência situada e participação emancipatória. A principal constatação é um paradoxo: a forma mais genuína de participação — aquela que influenciou efetivamente as condições de vida — foi precisamente aquela que a instituição não reconheceu como tal. O estudo conclui que o desafio para as instituições de proteção à criança não é criar mecanismos de participação, mas reconhecer as práticas existentes e ampliar as margens de autonomia das crianças e dos adolescentes.

Biografia do Autor

Patricia Castillo Gallardo, Universidad Central de Chile

Pesquisadora e acadêmica com ampla trajetória no estudo da infância, da memória e das violências políticas na América Latina. Ela já atuou como consultora da UNICEF e trabalhou na elaboração de políticas públicas voltadas para a proteção e a participação de crianças e adolescentes.

Paulina Chavez Ibarra, Facultad de Educación, Universidad de Chile

Psicóloga e professora da Universidade do Chile, onde atua na área de Filosofia e Humanidades. Sua trajetória se insere no campo dos estudos sociais da infância, com ênfase na vida cotidiana infantil e na análise crítica do discurso. Sua produção acadêmica inclui artigos que exploram as formas de parentalidade, as culturas infantis e as maneiras pelas quais as crianças elaboram discursivamente sua experiência social, contribuindo para o desenvolvimento do campo latino-americano de estudos sobre a infância.

Claudia Hernández del Solar, Laboratorio de Estudios en Violencia Institucional (LEVI)

Psicóloga e acadêmica especializada em estudos da infância. Seu trabalho concentra-se nas experiências cotidianas de crianças, nas desigualdades sociais e nas relações entre infância, família e instituições. A partir de uma perspectiva qualitativa e crítica, investiga a agência infantil, a participação e os processos de socialização em contextos latino-americanos. 

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Publicado

2026-07-15

Como Citar

Castillo Gallardo, P., Chavez Ibarra, P., & Hernández del Solar, C. (2026). Escutando o cotidiano: resistência e participação infantil no acolhimento residencial do SENAME. Psicoperspectivas, 25(2). https://doi.org/10.5027/psicoperspectivas-Vol25-Issue2-fulltext-3737
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